F1 Academy fecha sua primeira temporada e anima espectadores em fim de semana histórico

18/01/2024

Em solos estadunidenses, última etapa coroa a espanhola Marta García como sua primeira campeã e inaugura transmissão global da categoria


Por Malu Carvalho – Rio de Janeiro

02/11/2023


No fim de semana do GP dos Estados Unidos 2023, o circuito de Austin também foi palco da última etapa da F1 Academy, categoria feminina de acesso que visa a introduzir mulheres a outras categorias no automobilismo, incluindo a Fórmula 1. Porém, os três dias de ações na pista não foram apenas marcados pela coroação de uma campeã inédita. Muito se discutiu sobre o apoio dado a essas pilotos, principalmente sob os holofotes da primeira transmissão televisiva da categoria.

A espanhola Marta García, da Prema Racing, garantiu o primeiro título da história da competição ao vencer a Corrida 1, no sábado, liderando de ponta a ponta ao controlar as investidas da britânica Abbi Pulling e conseguir se defender para a vitória com 0.477 de vantagem para a piloto da Carlin. Léna Bühler, piloto suíça que estava na briga pelo título, completou o pódio em terceiro lugar.

Já com o campeonato decidido, a Corrida 2 foi vencida ainda no sábado pela piloto da MP Motorsport, Hamda Al Qubaisi, dos Emirados Árabes, que dividiu o pódio com Léna Bühler e com a britânica Jessica Edgar. Na terceira corrida do fim de semana, e última da temporada, foi Jessica Edgar, da Carlin, quem saiu vencedora com uma diferença de 2.555 para a espanhola segunda colocada Nerea Martí, seguida por Marta García para completar as três primeiras posições.

Foram três dias muito disputados no Circuito das Américas e, pela primeira vez, espectadores de várias partes do mundo, incluindo o Brasil, puderam assistir à competição pela TV, mesmo que fosse apenas na última etapa. O que é um atraso e tanto para a transmissão de uma categoria tão competitiva e regular quanto a F1 Academy, que se provou digna de muita visibilidade, com nove vencedoras diferentes no ano e muitas alternativas e ultrapassagens nas pistas. Se em 2023 foram necessárias outras seis etapas até que apenas a última fosse transmitida, em 2024 haverá transmissão global desde a primeira data. Já é um avanço enorme, por ser uma competição nova, em seu ano de estreia, e, principalmente, por ser uma competição exclusivamente feminina no automobilismo. A última prova mostrou que além de investimento, são a visibilidade e o reconhecimento que farão a F1 Academy deslanchar, inspirar mais projetos e ser capaz de inserir suas pilotos em categorias dominadas por homens.

Mas apenas transmitir não é o suficiente. Não dá para ignorar a relevância da competição para que as emissoras divulguem e produzam conteúdos engajados e contínuos, como acontece com outras categorias. O público precisa estar ciente das datas e horários, do desempenho de pilotos e equipes, das expectativas para o fim de semana, do regulamento – especialmente em uma categoria nova – e apenas uma publicação em rede social não fará esse trabalho. As empresas com os direitos de transmissão precisam se comprometer a ajudar a elevar o patamar da categoria ao nível que a própria F1 Academy merece.

Grid da F1 Academy na temporada de 2023 // Motorsport.com
Grid da F1 Academy na temporada de 2023 // Motorsport.com


Também para 2024, foi confirmado que cada equipe da Fórmula 1 terá que apoiar uma piloto, que correrá sob suas cores. A primeira confirmada foi a filipina Bianca Bustamante, da Prema Racing, que passa a ser apoiada pela McLaren. Mais uma mudança que busca potencializar a audiência e aderência do público é a decisão de tornar todas as etapas um suporte para a Fórmula 1, correndo na mesma pista durante sete fins de semana.

Por outro lado, essa visibilidade também pode ser alcançada por meio dos próprios pilotos da elite do automobilismo mundial, que usariam suas plataformas gigantes para expor o talento dessas mulheres. Infelizmente, não é o que acontece, como disse a diretora geral da F1 Academy, Susie Wolff, em entrevista à Sky Sports durante a última etapa em Austin, Texas:

"É um pouco triste porque é sempre o Lewis, é sempre ele que aparece para demonstrar seu apoio, vindo aqui. Porque acho que, no final das contas, ele sabe o que é ser o único, então ele tem uma afinidade."

A declaração veio após o britânico Lewis Hamilton ter sido o único piloto a visitar o paddock da F1 Academy, na quinta-feira, e a conhecer e conversar com as quinze integrantes do grid. Depois da visita, o piloto da Mercedes ainda postou nas redes sociais vídeos de cada uma delas, ajudando a ampliar o conhecimento dos seus 35 milhões de seguidores sobre a categoria e sobre suas representantes.

No decorrer do fim de semana, apenas mais dois pilotos foram prestigiar a F1 Academy publicamente. O francês Estaban Ocon, piloto da Alpine, entregou o prêmio para a pole position Marta García, e George Russell, britânico da Mercedes, foi o responsável por entregar os troféus na cerimônia do pódio da Corrida 1. Lewis Hamilton ainda voltou a demonstrar seu apoio e interesse nessa mesma corrida, quando foi uma das primeiras pessoas a parabenizar a grande campeã da temporada, Marta García, após sua vitória. Mas, infelizmente, os pilotos da Mercedes e Estaban Ocon foram exceção, e nem mesmo o atual campeão mundial ou a McLaren, que oficializou a entrada de Bustamante para o seu Programa de Desenvolvimento de pilotos, compareceram às instalações da F1 Academy. A Fórmula 1 é a elite do automobilismo mundial e ter seus campeões torcendo e dando suporte seria uma grande inspiração para essas jovens mulheres que sonham e lutam para alcançar esses espaços.


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